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domingo, 22 de abril de 2012

Amor fraternal

A mãe dera à filhinha
Um belo cacho de uvas,
Dourado pelo sol,
Regado pelas chuvas.

Vê ela ao longe o irmão
Que diligente vai
Levar lá longe, à quinta,
O jantar a seu pai.

Chama-o, corre, enfim
Lá consegue alcançá-lo,
E dá-lhe os belos bagos
Que irão refresca-lo.

Mas este, que já pensa
Como é duro o trabalho,
Ao ver o pai tão cansado
Não come o cacho, e dá-lho.

Este, pensa na mulher,
Nas lidas e canseiras
Que a pobre deve ter.

E ao voltar, à noitinha,
Oferece-lhe o cacho
Que ela dera à filhinha.

Oh! Santo Amor de mãe,
De irmão, de filho e esposo,
Crianças, segui sempre
Exemplo tão formoso!


Alguém se lembra deste poema?
Fui convidada a participar num encontro intergeracional entre estudantes muito jovens e utentes de um lar de idosos aquando a semana mundial da poesia que teve lugar em Março passado.
Macau,1954
A certa altura, uma idosa ainda muito bem conservada e escorreita, quis dizer um poema do seu antigo livro da 3ª. classe, salvo erro.
O poema é lindo e veio recordar-me os meus tempos de menina em que eu o declamei, quando andava na 3ª. Classe. 
Macau 1954
Quatro colegas minhas encarnaram as personagens e faziam a figuração do que eu ia dizendo. Há vários anos que queria recordar este poema, mas nunca consegui localizá-lo. E agora sem esperar, eis que o tenho em minha posse.


Lourdes Henriques.



7 comentários:

  1. Para a amiga Lourdes: lembro-me bem deste poema, não sei de que livro, no entanto, está presente na minha memória: lembra-me uma infância já muito distante, e apesar da crise que se atravessa, felizmente , ainda há mais do que um cacho de uvas, sem que se precise que o passem de mão em mão...
    Fala-nos de outros valores,mas também de muita pobreza, a não queremos voltar.
    Mas é bom recordar. Não se esqueça a Dª. Lourdes que esta terra para onde veio viver é também dela, e que nos dá muito prazer saber da sua vivência em lugares tão longínquos.
    Gostei das fotografias e a menina que recitava o poema alguma vez pensou, que passados tantos anos, elas seriam publicadas num lugar tão distante donde foram tiradas. As voltas que a vida dá...

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    1. É verdade amiga Alexandrina! Quem diria que passados tantos anos, estas fotos ainda viessem à baixa, no outro lado do mundo!
      Agora é que é caso para dizer: "Como o mundo é pequeno"!
      Obrigada pelo seu comentário.

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  2. Bom tarde colega Lourdes.
    Não me lembro de alguma vez ter lido o poema, cacho de uvas. Achei muito bonito, é sempre interessante recordar as coisas boas da nossa infância. Ainda tenho o meu livro da terceira classe, mas não tem esse poema, não sei se alguma vez teve, uma vez que já não está completo, faltam-lhe muitas folhas.
    Foi simpático da sua parte reviver este poema, boas recordações trazem-nos boas lembranças.
    Muito obrigado pelo comentário que fez ao meu texto sobre a ginástica.
    Muitos beijinhos da amiga,
    Mariana

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    1. Olá amiga Mariana
      Obrigada pelo seu comentário. Eu també, não me lembro de que livro era o poema. A senhora que mo facultou é que disse que era da 3ª. classe e realmente eu declamei-o na 3ª. classe. Mas não sei a que livro pertence.
      E se "recordar é viver" poeque não recordar saudavelmente passagens da nossa vida que nos deram momentos de felicidade? E posso-lhe garantir que no momento em que me tiraram aquelas fotos, eu estava realmente feliz! Por isso fico feliz também ao recordá-las.
      Obrigada pelas suas palavras.
      Beijinhos da colega amiga
      Lourdes.

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  3. “Recordar é viver” ouço dizer desde que me conheço. Mas na idade a que felizmente chegámos, recordar é mais que viver, é renovar as forças que nos vão permitir acrescentar mais vida aos dias que nos esperam, ao dia de hoje inclusive. E o que nós vivemos (no passado) vivemo-lo, foi isso tudo que nos permitiu ser o que hoje somos e de que temos orgulho.

    Por isso é bom e salutar trazermos para o presente esse passado, e partilhá-lo, relatando as recordações, as memórias, que dele guardamos. Sem que isto se possa confundir com qualquer ideia de “saudosismo” desses tempos, que eram, devemos ter disso consciência, tempos diferentes, não recomendáveis nem desejados para os dias que correm.

    É óbvio que este poema que a D. Lourdes nos traz, que também recordo, lindo ou feio depende dos gostos, tem implícita uma ideologia e uma mensagem retrógradas, que hoje nos repugnam e não transmitiríamos aos nossos filhos ou netos. É a mesma mensagem, a mesma ideologia, expressa no texto que tenho à minha frente, do Livro (único) da Primeira Classe, intitulado “Os pobrezinhos” e que termina dizendo que “até um copo de água, dado aos pobrezinhos por caridade, terá grande prémio no céu”. Deste céu (com minúscula no livro) … livrai-nos senhor…

    Foi também para nos livrarmos deste "céu", para activamente lutarmos contra a pobreza e as injustiças sociais, que fizemos o 25 de Abril que hoje comemoramos.

    José Auzendo

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  4. Também achei o poema da minha vizinha e amiga Lourdes cheio de beleza, mas de uma beleza que ninguém deseja. Presentemente, já haverá muitas casas em que os pais deixam de comer para dar aos filhos. Se tivesse sido escrito no século xxi seria um poema muito desagradável. É muito bompartilhar, mas não como significado de que se partilha ou se aceita a pobreza, não sei se me faço entender.

    Lisete Corado

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  5. Acho lindo !!! É uma tempestade de lembranças que dá gosto "ver"!!!Quem não tem boas recordaçãos? Enche a vida! a vida de agora. Mesmo as menos boas, ficam com um colorido que faschina...e quem as descreve com que emoção!!!
    Amiga Milú, gostei de vir aqui!!
    Beijinhos da Luisa

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