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terça-feira, 31 de julho de 2012

Aniversário do Rancho da Seramena


Palco Principal do Festival
Decorreram Sábado, dia 28 de Julho, as comemorações do 29º aniversário do “rancho folclórico da Seramena”, de seu nome oficial Grupo de Danças e Cantares do Concelho de Sobral de Monte Agraço – Seramena, que foi fundado em 20 de Julho de 1983. Como é habitual nestas comemorações, o Grupo organizou o seu 28º Festival Nacional de Folclore.*
Auditório Municipal
Participaram no festival, além do Grupo da Seramena: o Rancho Folclórico de Portomar, Mira, Coimbra; o Rancho Folclórico de Vale do Lis, Amor, Leiria; e o Rancho Folclórico da Ribeira de Celavisa, Arganil, Beira Litoral – Mondego.
No Auditório Municipal, teve lugar a sessão solene de boas vindas aos visitantes, aos quais foi oferecida uma lembrança do Sobral: uma miniatura de um “cargo”, uma armação artesanal que tradicionalmente se fazia em madeira, revestida de folhas verdes e onde se colocavam designadamente bolos secos regionais e laranjas, que eram leiloados anualmente, por altura das festas, segundo a explicação que no momento foi dada pela Presidente da Direcção do Grupo, Lucília Silva.
Expondo um "Cargo"
É dessa tradição que vem o “Balharico dos leilões”, moda ainda agora cantada pelo Grupo, e da qual transcrevo o refrão: “ A Seramena sempre foi de tradições / bailhava-se o bailharico pelo tempo dos leilões. O bailharico é uma moda tão pequena / toda a vida foi bailhada / no lugar da Seramena. “. A dança respectiva não a sei descrever, só vendo-a; quanto ao “cargo”, espero que, melhor que a descrição que consegui fazer, digam o que isso era as fotos que aí estão…
Pelas 21,30 horas, os ranchos participantes desceram da área do Mercado e entraram na Praceta 25 de Abril, onde subiram ao palco para serem apresentados ao público presente, em número razoável, a Praceta estava composta. Atrair mais público ao Festival tinha sido, segundo explicou a Presidente na sessão solene, a razão para as comemorações decorrerem na sede do Concelho e não na própria Seramena.
E o Festival propriamente dito começou com a actuação do Grupo anfitrião, a que se seguiram os restantes, com cerca de meia hora cada um. A avaliar pelos aplausos, pode dizer-se que o público presente apreciou as interpretações que lhes foram proporcionadas. No início de cada actuação, era dada a conhecer um pouco do historial de cada grupo, das tradições próprias que cada um procurava preservar e divulgar, quer no que respeita às danças e cantigas, mas também aos trajes e costumes ancestrais.
* mais fotos
José Auzendo

sábado, 28 de julho de 2012

Bombeiros Voluntários do Sobral do Monte Agraço


Comemorou-se no passado dia 7 de Julho o 99º aniversário dos Bombeiros Voluntários do Sobral do Monte Agraço.
Os bombeiros,vestidos a rigor com as suas fardas de gala, perfilaram-se na parada do quartel, na presença dos convidados da Edilidade, entre eles o Sr. Presidente. Foi bonito de se ver!
Havia muitos populares, na sua maioria familiares e amigos dos bombeiros. Proferidos os discursos da praxe, procedeu-se à entrega de capacetes e machados aos bombeiros acabados de se formar e também medalhas de mérito aos bombeiros que nesta data completaram 5 e 10 anos ao serviço da Corporação. Tal como o Comandante Pedro Lima disse, estas são o salário daqueles homens e mulheres que dedicam grande parte das suas vidas de de forma altruísta, à comunidade.
Tenho um filho que também é bombeiro e nesse dia emocionei-me até às lágrimas, ao ouvir o Comandante chamar pelo nome do meu marido para colocar as medalhas de mérito na farda do nosso filho, pelos seus 10 anos de dedicação e empenho ao serviço.
Seguiu-se uma romagem ao cemitério de São Salvador, em homenagem aos bombeiros já falecidos ao longo de todos estes anos. Regressados ao quartel foi-lhes servido um jantar confeccionado por pessoas de boa vontade que tudo fazem em prol da mesma causa.
É de louvar a coragem dos nossos Soldados da Paz, que muitas vezes pondo em perigo a sua própria vida e a qualquer hora do dia ou da noite, lá estão para socorrer aqueles que deles precisam, quer seja nos acidentes, quer nas idas aos hospitais, nos fogos e em tantas outras situações. Prescindem do seu descanso, dos momentos de lazer e do convívio com os seus familiares e amigos, apenas pelo amor a uma causa tão nobre como é o de ajudar o próximo.
No verão formam piquetes, os chamados “GPIS”, sendo e só nesta altura remunerados, mas tendo que estar 24 sobre 24 horas de prevenção para qualquer situação de emergência que possa surgir quer seja a nível do nosso Concelho quer para qualquer zona de Portugal desde que para isso sejam requisitados.
É neste período do verão que estamos constantemente a assistir a uma vaga de incêndios que deflagram por todo o País e nos quais muitas pessoas perdem num ápice o trabalho de uma vida e também bens tão essenciais como são as florestas, ou seja os nossos pulmões. Infelizmente há pessoas que se sentem felizes, provocando a infelicidade das outras ao atearem deliberadamente esses incêndios. E lá estão os nossos bombeiros.
Nós família muitas vezes nem sequer sabemos por onde eles andam. Partem sem ter tempo de avisar principalmente quando vão para longe como acontece muitas vezes, ficando nós à espera de notícias que tardam a chegar. Não raras são as vezes que não conseguimos estabelecer contacto porque ou estão em zonas onde não há rede ou as antenas já foram devoradas pela intensidade das chamas. Nesses momentos nós mães e demais familiares permanecemos numa angústia muito grande porque o perigo é constante, sendo que têm que se deslocar por terrenos tortuosos, caminhos quase intransitáveis chegando a fazer quilómetros de marcha atrás por não conseguirem inverter as viaturas. Ameaçados por fogos traiçoeiros que aparecem onde menos se espera, muitas vezes debaixo dum sol tórrido tendo na sua frente um mar de chamas para combater, um verdadeiro inferno como relatam, não baixam os braços e lutam até à exaustão. A nós família só nos resta pedir a Deus em oração para que regressem sãos e salvos.
Pena que muitas vezes não sejam compreendidos e não lhes dêem o devido valor. É de lamentar que os poucos subsídios de que dispõem sejam cada vez mais reduzidos, fazendo aumentar as suas dificuldades financeiras, quer seja para aquisição de novas viaturas, para manutenção das existentes, até para pagamento aos bombeiros/as efectivos e outras despesas.
Expresso a minha grande homenagem aos nossos bombeiros/as nossos “Heróis” no activo, quadro honorário e nomeadamente ao bombeiro mais antigo da nossa Corporação Sr.º José Vieira, um homem do Sobral, que tal como tantos outros dedicou toda a sua vida a ajudar aqueles que dele precisavam e que com a bonita idade de 94 anos também neste dia lá estava fardado a rigor e apesar da sua idade, em pleno uso das suas faculdades.
Vamos todos ajudar os nossos bombeiros/as quanto mais não seja com o nosso apoio moral. Mas, está a decorrer uma campanha de angariação de  fundos para a aquisição de um veículo urbano de combate a Incêndios. Porque não participar activamente?
Vivam os nossos Soldados da Paz do Sobral e duma maneira geral de todo o País.
Rosa Santos

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Filatelia … histórias à volta da história dos selos


Por razões que facilmente depreenderá, recebo todos os meses a Folha Informativa da Comissão de Reformados do Banco de Portugal. Acontece que a última continua a publicar uma série de artigos relativos ao coleccionismo, desta vez sobre a Filatelia e a história dos selos no Mundo. Não é nada que não se encontre com algum tempo de pesquisa na net. Mas há pormenores curiosos acerca da história dos selos, que me pareceram um tema interessante para estas férias no Blogue…Se o assunto “pegar”, pode ser que regressemos ao coleccionismo: não conheço coleccionadores no Sobral, de numismática, de saquetas de açúcar do café, sei lá, tantas coisas que se coleccionam por todo o lado. Sei de uma colecção fabulosa, de um tipo raro, pode ser que a dona se disponibilize a divulgá-la aqui…
Mas, agora, os selos. Sabe como “nasceram” os selos? Transportar encomendas e mensagens para lugares distantes é prática corrente desde há milénios. A história da corrida de atletismo da Maratona começa precisamente assim: o soldado Filípedes foi incumbido, em 490 antes de Cristo, de levar aos atenienses a notícia da vitória sobre os Persas na batalha de Maraton: o soldado correu os 40 km com tal esforço que, ao chegar a Atenas, apenas conseguiu dizer “vencemos” antes de cair morto no chão…É muito interessante o porquê desta urgência, mas se me alongo nunca mais os prometidos selos cá chegam. E não levava a minha carta a Garcia.
Pois é, os selos. Quando alguém enviava, noutras épocas, uma mensagem ou uma encomenda pelos serviços de estafetas, eram os destinatários que deviam pagar o serviço ao transportador, não fosse este ficar com o dinheiro do remetente e…com a encomenda. Mas isto dava origem a disputas frequentes e a inconvenientes de toda a ordem. Pensemos apenas no caso mais simples: se um destinatário se encontrava fora da localidade de residência não podia pagar o serviço, e a encomenda ou mensagem não podia ser entregue…E isto acontecia assim mesmo em países com serviços postais públicos devidamente organizados…
Em 1839, Rowland Hill, funcionário dos correios ingleses, propôs ao Governo de Sua Majestade (é assim que ainda hoje os ingleses se referem…ao Governo) que a taxa de envio fosse paga na origem; e que na carta (ou na embalagem da encomenda) fosse colado e carimbado um recibo (padronizado) do pagamento, indicando o preço e o local de expedição. O Governo aprovou a reforma e, em 6 de Maio de 1840, em Inglaterra, emitiu-se o primeiro selo do mundo: era um selo todo preto, de 1 “penny”, com a efígie da Rainha Vitória…É o famoso “penny black”!...
Embora sofresse muita contestação, rapidamente o selo se espalhou pelo mundo. Entendamo-nos: rapidamente, mas não à velocidade de hoje.…O segundo país a adoptar os selos, logo no início de 1843, três anos depois, não foi “um país”, foram apenas os Cantões de Genebra e Zurique da Suiça: os outros Cantões não aceitaram…Ainda no mesmo ano, a 1 de Agosto, os selos aparecem noutro país, o segundo com circulação nacional…Sabe qual foi? A decisão foi tomada por D. Pedro II … Mas não, não foi Portugal, foi o Brasil: foi D. Pedro, segundo imperador brasileiro, filho do rei português D. Pedro que, em 1822, tinha proclamado a Independência do Brasil, com o célebre “grito do Ipiranga”. Há para aí um texto de História que fala nisso…Não no “grito”, no D. Pedro.
"Olho de gato"
"Olho de boi"

As peripécias dos primeiros selos no Brasil são “de morte”. Não resisto a viajar um pouco até lá; acompanha-me? D. Pedro II aprovou a emissão de selos idênticos aos ingleses, com a efígie dele. Mas políticos zelosos (ainda com “sangue” português…) acharam que era uma “sem-vergonhice” a cara do Imperador ser deformada e pintada pelos carimbos dos selos. E a efígie foi proibida: apareceram, então, os selos “Olho-de-boi”. Olho-de-boi porque não eram mais que um círculo ovalado escuro com o preço ao centro. Seguiu-se a série dos “Inclinados”, estando a razão disso no próprio nome.
"Olho de cabra
"Inclinado"
As séries seguintes ficaram conhecidas como “Olhos de cabra” e “Olho-de-gato”, estes já coloridos. E só em 1 de Julho de 1866 proibida: apareceram, então, os selos “Olho-de-boi”. Olho-de-boi porque não eram mais que um círculo ovalado escuro com o preço ao centro. Seguiu-se a foram impressos selos “normais”, com a efígie do Imperador, os chamados selos D. Pedro II.
D.Maria II
  
E Portugal? Por hoje vamos só dizer que no nosso país a primeira emissão ocorreu em 1 de julho de 1853, com a efígie de D. Maria II, sendo que fomos o 45º país a adoptar o selo postal…Atrasados, como sempre.

José Auzendo

domingo, 22 de julho de 2012

PERCURSO DE VIDA MUSICAL (3ª. parte)


Agosto de 1961 (15 anos)
Nessa época em que comecei a “despertar para o público” morava em Benfica na rua do antigo lar dos Benfiquistas. Quando os futebolistas passavam pela minha casa ouviam o acordeão e despertou-lhes a atenção. Vezes sem conta apareciam músicas na caixa do correio, sem eu nunca ter descoberto o autor de tal façanha. Até que, sem eu saber como, alguém foi a minha casa fazer-me uma proposta para eu ir participar numa festa do Clube Futebol Be nfica, a tocar uma valsa para dois bailarinos dançarem. E a seguir à experiência com as ceifeiras, esta foi a minha estreia “como acordeonista” num palco, no Cinema da Venda Nova. Fui muito aplaudida julgo que por ser uma miúda, pois naquela época, uma menina a tocar acordeão não era lá muito visto.
Entretanto, quando já tinha 16 anos, uma vizinha que gostava muito de mim e conhecia o Professor Vitorino Matono, pediu licença aos meus pais para me apresentar ao Matono, para ver se eu poderia frequentar as aulas na escola dele. Mandou-me fazer um teste e escusado será dizer que fiquei. As suas palavras para a amiga foram: “A pequena tem muito jeito”. E lá andei até aos meus 19 anos, tendo chegado a participar no primeiro conjunto formado por ele “CONJUNTO MUSICAL MATONO”. Ele dizia que eu a ler música era um “caso muito sério” pois lia rápida e correctamente. Já a tocar era menos habilidosa. E para meu espanto, o meu papel no conjunto era a tocar num acordeão contrabaixo, que nem sequer tem botões na mão esquerda. Foi uma experiência que adorei. Éramos 6 elementos, todos com acordeão, sendo que o meu era o contrabaixo e eu o único elemento feminino.
Verão de 1963 (17 anos)
Além das lições, todos os domingos lá estava eu na escola para irmos ensaiar. E a nossa estreia foi no antigo Cinema Império, na Alameda D. Afonso Henriques. Para mim foi um delírio, participar num conjunto do Professor de acordeão mais conceituado da época. Chegámos a tocar para o maestro Belo Marques e já tínhamos tudo acertado para andarmos para a frente com um projecto de disco, mas entretanto o professor adoeceu e teve uns tantos impedimentos que acabou tudo em nada, o que me desmotivou bastante e a partir daí, comecei a perder o interesse. Mas isoladamente sempre ia tocando aqui e ali. Uma das actuações que não esqueci, foi numa colectividade na Calçada dos Mestres, julgo que (me perdoem se estou enganada) nos Alunos de Apolo, onde fui calorosamente ovacionada.
Acabei os meus estudos e contrariamente à ideia de meus pais, arranjei emprego e iniciei o namoro com o meu futuro marido, que entretanto já tinha deixado a orquestra de bordo e mudado de profissão. Apesar de nunca me ter dito nada, sempre soube que não aceitaria de bom grado que a minha vida passasse por uma faceta musical, pois por experiência própria, sabia que seria difícil conciliar a vida familiar com a artística. E para mim, o que estava em 1º. lugar era a família, e este jovem foi na minha vida o meu Príncipe Encantado. E logo me comecei a afastar lentamente das festas públicas, de livre e espontânea vontade para não lhe desagradar, pois já não saberia conceber a minha vida sem ele. E as últimas actuações como animadora de bailes, que me lembre, foram em Turquel e Unhos. Esta última deixou-me uma saudade especial. Era numa colectividade com muita gente e eu sozinha no meio do palco. Claro que tocava músicas da época, mas faltava acompanhamento. E eis que um jovem saltou para o palco e começou a tocar numa bateria que lá se encontrava. Para mim uma novidade. Nunca tocara assim, ainda por cima sem ensaios, e ao acertarmos “o passo” tão bem, deu-me um entusiasmo que toquei horas a fio sem sentir cansaço. Porém nessa época, apesar de andar sempre a cantar e tocar, não tinha ainda a consciência da minha verdadeira vocação. E o 1º. trabalho que rejeitei foi fazer uma passagem de ano em Turquel, local que já me tinha contratado uma vez e onde fui muito acarinhada.
Pus os pesos na balança, de um lado a música com toda a alegria e entusiasmo que me proporcionava, do outro o meu casamento realizado apenas há 3 semanas, e claro que o prato do coração pesou mais.
A partir daí nunca mais aceitei trabalho algum musical. O meu marido nunca interferiu nas minhas decisões, mas soube depois pela minha cunhada que achou a minha atitude muito sensata. Sensata ou não, foi o que na altura achei que deveria fazer. 
Lourdes Henriques
 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A Banda Filarmónica do Sobral


Ao tomar conhecimento de que o Governo ia abolir o feriado do de Dezembro, dia da Restauração da Independência de Portugal, veio-me à lembrança a nossa Banda, que todos os anos nos acordava na madrugada desse dia tocando um Hino, e a quem nós, Sobralenses,agradecíamosabrindo as janelas, e escutando. Desafiei o Manuel Mota Luís, que foi músico muitos anos da Banda Filarmónica do Sobral, e, juntos, resolvemos contar aqui coisas que sabemos.
Muitos jovens, e alguns moravam a três ou quatro quilómetros de distância da vila, depois de um longo dia de trabalho, deslocavam-se a para fazerem o ensaio semanal: prestamos homenagem a estes rapazes voluntários, movidos apenas pelo gosto de aprender a arte do solfejo e, mais tarde, terem um instrumento musical e uma farda para se exibirem nas festas, quase sempre religiosas. Diz o ditado quequem corre por gosto não cansa, e estes jovens, e outros menos jovens, levavam o nome de Sobral de Monte Agraço, de terra em terra, onde iam actuar.
Pelos programas das Festas e Feiras de Verão, que consultámos, pudemos observar que, em 1953, a Banda actuou com o nome de Banda Municipal; em 1954 a não actuou; e voltou a actuar em 1955, com o nome de Banda dos Bombeiros Voluntários de Sobral de Monte Agraço. De facto, em Outubro de 1954, após conversações entre a Câmara e os Bombeiros, foi decidido em Assembleia Geral que os Bombeiros Voluntários tomassem conta da Banda.
Contou-nos um amigo que, um dia, a Banda foi tocar às festas da Senhora dos Milagres, tinha chovido e os caminhos estavam enlameados, fazendo grandes sulcos no terreno; o músico do bombo, com aquele grande instrumento musical, não se apercebendo de uma regueira, enterrou-se até aos joelhos. Mesmo enfiado no ventre da terra, e enquanto um grupo de homens o içavam, o músico não deixou demartelaro seu bombo e ninguém se apercebeu do sucedido. Um voluntário cheio de profissionalismo...
A Banda teve alguns maestros de fora da vila, mas teve sempre a acompanhá-la, ora tocando, ora escrevendo partituras, ora ensinando solfejo, o Senhor António Marques Serreira, um homem de corpo inteiro, dedicado às associações da vila, principalmente à Banda, por isso aqui lhe prestamos, também a ele, a nossa homenagem póstuma: barbeiro de profissão, fazia da barbearia a sua sala de música e era habitual ouvi-lo a tocar o seu saxofone. Senhor Serreira, acreditamos que os Sobralenses lhe estão muito agradecidos.
O solfejo era ensinado pelos músicos mais velhos aos que começavam. E aqui temos que falar também na família Libânio, grandes músicos da terra e, mais tarde, em Delfim Vicente: todos contribuíram para o sucesso da Banda.
No dia 26 de Agosto de 1956, a Banda sofreu um grave acidente: a camioneta de caixa aberta que transportava os músicos, também transportava os foguetes para a festa onde iam actuar, na Abrigada. Pararam para deitar uns foguetes, as faúlhas cairam nos outros foguetes que estavam na camioneta, a explosão aconteceu. Os músicos mais novos, que iam na frente da carrinha, foram os que mais sofreram, muitos ficaram muito feridos, alguns foram expelidos e atirados a alguns metros de distância. O jovem Artur Manuel, com cerca de dez anos de idade, esteve entre a vida e a morte, sofreu queimaduras graves na cara e no corpo, que ficaram visíveis para o resto da vida.
Com o passar dos anos, com as oscilações que a banda ia sofrendo e com as modificações sociais, também elementos femininos passaram a ser integrados no seu seio. Ainda nos anos oitenta havia a escola de música, de onde surgiram alguns músicos/as que fizeram da música a sua carreira profissional. Segundo se falou na altura, devido a falta de dinheiro para renovar instrumentos e fardamento, chegou o seu fim, e ficou mais pobreSobral de Monte Agraço.
Tudo o que aqui foi relatado é do nosso conhecimento pessoal, ou soubemo-lo através de ex-músicos; tentámos por outras vias procurar um historial mais profundo. Como nada registado, desafiamos quem saiba mais que escreva para o nosso blogue, para que fique registado e não se perca para sempre o que outros lutaram por manter: a Banda dos Bombeiros Voluntários de Sobral de Monte Agraço.

Maria Alexandrina Reto
Manuel Mota Luís