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domingo, 21 de agosto de 2011

A MINHA ÁRVORE CAIU!


Estou triste! A minha árvore caiu! O meu salgueiro de estimação partiu-se ao meio e uma bela parte do seu todo caiu para cima da parede da casa, encostado à adega. A minha árvore de sombra está a ceder e tal como tudo na vida, está a deteriorar-se. Bastou uma rajada de vento mais forte do que o habitual, e eis aí os estragos.
É a perda. Mais uma perda a juntar a tantas outras que já tive na vida. Este jardim que criei com tanto entusiasmo e gosto, que tantos quebra-cabeças me deu para o construir à minha maneira, está a perder a sua beleza e encanto a pouco e pouco. De outrora, um passado bastante recente, vai ficando a recordação de alguns dos bons momentos aqui vividos. E recordo com especial carinho o dia do baptizado do meu neto Rodrigo, há seis anos. Foi o dia mais bonito vivido neste jardim, desde que foi construído, até hoje. Mas tal como eu estou a perder o entusiasmo pela vida, parece que o jardim percebe e me acompanha, na sua decadência. A ala de roseiras de várias cores, onde está ela? Restam apenas algumas pernadas mal semeadas e quase secas dentro do longo canteiro irregular criado no meio das pedras, atravessando o jardim de alto a baixo. O friso com jarros de muitas cores, que quando estavam todos floridos davam um efeito lindíssimo, também ele desapareceu dando lugar a ervas daninhas ou coberto pela caruma do pinheiro manso plantado pelo meu filho Paulo. Esse, é também uma das minhas árvores de eleição aqui no quintal. Algumas já estão mortas por falta de tratamento e interesse …
As minhas três palmeiras, essas, não as queria perder, mas estão condenadas a serem deitadas abaixo por alguém com menos sensibilidade para as preservar… é que a propriedade está à venda e já vários interessados (ou não) manifestaram a ideia de as tirar! Com tanto terreno para cultivar, não percebo porquê deitar abaixo árvores tão bonitas e que levam tantos anos a crescer! A Palmeira, considerada a árvore da Sabedoria! Só pessoas sem sabedoria nenhuma e com muita falta de sensibilidade, deitariam abaixo árvores como estas …
E fico triste ao pensar que aquilo que criei com tanto amor está prestes a acabar … mais valia nunca o ter feito, pois não estaria neste momento a sofrer!
Moncova, 21 de Agosto de 2011.
Lourdes.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Em viagem pela vida...(3)


Depois de me casar fiquei 5 anos a viver em casa dos meus pais e em Junho de 1971 fui viver com o meu marido para a Amadora. Nesse mesmo ano, em Novembro, perdi o meu pai, que tendo ido para a Guiné por duas vezes, na 2ª. veio evacuado para o hospital, tendo morrido alguns meses mais tarde.
Tinha orgulho em defender a Pátria, mas a Pátria, quando ele morreu, nem o funeral lhe fez. Nem sequer teve direito a velório. Pobre pai, se cá viesse agora, morria logo de tristeza, ao ver como está o país que tanto orgulho ele tinha em defender!
E vivi na Amadora durante 31 anos.
E depois de tudo isto, tenho a dizer que tenho quatro filhos encantadores que me adoram e ao pai e de quem nós temos muito orgulho. Agradeço a Deus nos dias que correm, a família que tenho. Tenho 3 netos lindos sendo que os seus pais não tiveram casamentos duradouros como o meu. É que os jovens de hoje não têm a tolerância nem a paciência dos de outrora. Ou talvez não sintam o verdadeiro amor um pelo outro. Quem terá razão: eles ou nós?
Meu marido deixou de trabalhar em 2003 e em 2004 eu pedi a reforma antecipada, para bem ou mal dos meus pecados. Já me tenho arrependido algumas vezes de o ter feito, mas noutras ocasiões, vendo o lado positivo das coisas, sinto-me contente. Enfim, temos dias bons e maus, e temos que conviver com eles da melhor forma que pudermos e soubermos.
Mas não quero deixar de me referir também à minha mãe, pessoa que muito me marcou na vida, para o bem e para uma parte mais negativa. A parte negativa é que era uma pessoa muito austera e ditadora que muito me fez sofrer com essa maneira de ser. Mas tinha um grande coração. Tenho a agradecer-lhe a ajuda que me deu a criar os meus filhos até perto dos 3 anos, e muitos mais apoios. Faleceu há 8 anos, depois de ter permanecido 5 anos num lar, sendo que antes esteve a viver comigo quatro anos e meio. Após a sua degradação quase total, era impossível permanecer em casa sem assistência permanente, e durante cinco anos caminhámos todos, todas as semanas, para o lar onde se encontrava mas em que ela já nem nos conhecia. E depois de permanecer viúva 31 anos, deixou-nos numa paz serena enquanto dormia durante a noite.
E em 2002, após tantos anos de azáfama de um lado para o outro, com os filhos já todos fora de casa, resolvemos vir viver para o Sobral, pois meu marido é natural de Moncova, cuja casa onde nasceu é nossa, mas onde não queremos viver. E aqui estou eu a escrever esta autobiografia mais ou menos atabalhoada, num sétimo andar (parece que estou empoleirada no galinheiro), donde posso avistar de um lado e doutro bonitas paisagens, com um lindo pôr-do-sol na serra do Socorro.

Lourdes Henriques (Sobral - Biblioteca)