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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CARNAVAL



Eis aí o carnaval,
Em que ninguém leva a mal
O que se diz e se faz.
E cada um neste dia
Veste a sua fantasia,
Conforme mais lhe apraz.

Carnaval é animação,
É cor, é luz, emoção,
É sonhar com o que não fomos!
E uma vez por cada ano
Por encanto, ou por engano,
Fingimos ser quem não somos

A sorrir e a brincar,
Sem nas tristezas pensar,
É só viver p’rá folia.
São dias de diversão
Que animam o coração,
E em que a noite é sempre dia.

A transbordar de beleza,
No Brasil ou em Veneza,
Desfiles e diversões.
Também nós em Portugal,
Vivemos o Carnaval,
A Festa dos Foliões.

E ao findar o Carnaval
Voltamos ao trivial,
Lá se vai toda a magia!
E o encanto ao quebrar
Vai-nos deixando ficar
saudades da fantasia.

Lourdes Henriques (Sobral - Biblioteca)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ACTIVIDADES PARA OS SÉNIORES

No dia 21 deste mês de Fevereiro decorreu no Auditório desta vila uma sessão de poesia proporcionada por Andreia Macedo e destinada aos Seniores deste concelho.

A sala estava pouco mais de meia mas os que estavam eram bons ouvintes e participativos.

A poetisa, uma jovem que se deslocou a esta vila para nos proporcionar uma parte da tarde bem diferente do habitual, declamou vários poemas de alguns autores conhecidos e também seus. Foram convidadas algumas pessoas da assistência, antecipadamente já inscritas para o efeito, a participar nesta sessão de poesia trazendo poemas dos seus autores favoritos ou até mesmo das suas próprias autorias. Como não podia deixar de ser, também participei com três poemas de minha autoria. Tive um bocado de relutância pois nunca tinha lido em público aquilo que escrevo mas afinal não me saí muito mal.

Foi uma partilha muito engraçada e original. Acho mesmo que deveria ser repetida, pois se a Poesia é considerada a “Parente Pobre das Artes”, há que lutar para que essa parente Enriqueça, fazendo com que estas sessões (ou espectáculos, se assim se pode dizer) se repetitam mais vezes, a fim de sensibilizar e ajudar a despertar o interesse nas pessoas. E não me refiro apenas aos Seniores, pois apesar de estarmos numa vila ainda com muitas características rurais, estou convencida que haverão por aí alguns talentos jovens por descobrir que apenas precisariam de um empurrão.

Mas não fiquei satisfeita apenas por ter participado. A vida realmente dá muitas voltas e hoje uma vez mais tornei a pensar como o mundo é pequeno. Na pequena apresentação que fiz antes da minha intervenção, referi que tinha vivido alguns anos em Macau e tive uma enorme alegria, pois encontrei uma grande amiga e confidente da juventude que estava na assistência. Não nos reconhecemos fisicamente. Mas parece-me que a palavra MACAU tem a magia do Oriente, como eu costumo dizer, e trouxe-me de volta uma amiga que eu julgava nunca mais voltar a ver nos dias da minha vida. Os nossos pais foram colegas e amigos durante muitos anos, as nossas mães também eram amigas e nós amiguinhas do peito, daquelas amizades puras de adolescência, que são muitas vezes interrompidas pelo rumo da vida dos nossos pais. Até no regresso a Portugal viajámos juntas no mesmo paquete durante cinquenta dias. Por instantes pareceu um regresso mágico ao passado.

Afinal eu tive relutância em participar neste evento porque não gosto de ler o que escrevo em público, mas algo me dizia para tentar. Em boa hora o fiz, pois todas as minhas amizades dessa altura se diluíram pelo mundo fora restando-me apenas uma que vive na América. Sinto-me recompensada pelo destino pois a perca desta amizade foi das que mais saudades me deixou. Nem que fosse só por isto, já valeu a pena ter participado neste evento que desejaria passasse a acontecer periodicamente aqui no Sobral de Monte Agraço.


Lourdes Henriques (Sobral - Biblioteca)