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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A cadela perdida voltou a casa do dono 8 meses depois


Ao tentar encontrar algo sobre o qual pudesse escrever, a dada altura lembrei-me desta para mim interessante e até comovente história, há muito guardada na minha memória. O Sr. Afonso era um homem de grandes qualidades a quem eu tive o grande privilégio de durante muitos anos poder chamar “Sogro”. Desde muito novo o Sr. Afonso começou a sentir o gosto pela caça, para isso contava com a colaboração dos seus cães. Mais tarde surgiu também para o efeito uma cadelinha muito especial, talvez por ser muito dócil e esperta, depressa cativou a amizade dos seus donos, e à qual foi dado o nome de “violeta”, sendo ela a grande protagonista desta história. Mais à frente se saberá porquê! O Sr. Afonso contava também com um grupo de amigos caçadores quase todos da Perna de Pau de onde era natural.
Certo dia, e como havia no grupo quem tivesse transporte adequado para o efeito, decidiram fazer uma caçada lá para os lados de Castelo Branco, mais concretamente Vila Velha de Ródão. Tal era o vício, imaginem! Isto nos primeiros anos da década de 60. Para tal, e com antecedência prepararam os farnéis e tudo o necessário para a longa viagem. Na madrugada do dia seguinte, lá partiram para o destino atrás referido. Chegados ao local, e logo que possível deram início à caçada. No dia seguinte e pelo cair da tarde, depois de tudo preparado iniciaram a viagem de regresso a casa. Ao passar por Castelo Branco decidiram parar para petiscar e molhar as gargantas já que a viagem ia ser longa. Foi aí que o Sr. Afonso deu pela falta da sua estimada “violeta”, a preocupação era evidente, e toca de procurar por todos os lados, ainda voltaram para trás mas em vão, porque da “violeta” nem sinal. Inconformados com a perda, mesmo assim retomaram a viagem de regresso a casa que decorreu num clima de tristeza. Os dias, os meses foram passando, e segundo me foi contado pelos meus sogros todos os dias se falava na “violeta” e nas saudades que dela sentiam.
Um belo dia, e sem que nada fizesse prever, por volta da hora de jantar ouviu-se com insistência e junto de casa, um cão a latir. Nessa altura, a minha sogra disse para os restantes membros da família, parece mesmo a nossa “violeta”. Para eles era impossível dada a distância entre casa e o local onde ficara perdida. No dia seguinte, e logo pela manhã junto do portão de casa ouviu-se de novo o mesmo latir, era a maneira possível de ela se fazer anunciar... nessa altura a minha sogra pensou: tenho que ir ver o que se passa. Ao ver o animal tão sedento de carinho, não queria acreditar no que os seus olhos estavam a ver, mas se as dúvidas surgiram, logo foram dissipadas perante as manifestações de alegria da “violeta” ao regressar a casa e ver de novo os seus donos após oito meses, é verdade! Oito longos meses afastada, perdida no para ela, longínquo distrito de Castelo Branco.
A notícia depressa se espalhou pela vizinhança, e alguém que nunca se soube ao certo quem, ao tomar conhecimento de tal facto, mandou publicar a notícia num jornal da época. Mais tarde o recorte do artigo foi oferecido ao Sr. Afonso, e ainda hoje se encontra em nosso poder. A partir daí, várias propostas foram feitas para a aquisição da “violeta” ou “esperta” como lhe chamaram mas, às quais os seus dedicados donos sempre responderam! Vender a “violeta” nunca! Por dinheiro nenhum!
E assim ali ficou junto dos seus donos até final dos seus dias. Muitas foram as vezes que ouvi o meu Sogro contar esta história verídica, e sempre que o fazia não conseguia esconder a emoção.
Grandes lições de vida os animais nos transmitem.
Rosa Santos